…Só… «Estar
Só é Estar no Íntimo do Mundo» (1)
Estar só
depois da vida em que escurece…
E essa noite
de breu acontece
O fio do Tempo
que assim se desenrolou…
Desse novelo
de Ariadne
E a tua alma
nua que desconhece
Esse labirinto
mítico a que chegou
Esse naufrágio
do corpo que se afunda
Nesse mar
profundo e escuro
Em que se
apaga essa luz bruxuleante e breve
Onde todos
os vivos embarcam
Luz essa que
trémula se extingue…
E desvanece…
Barqueiro
que mudo nos transporta
…Para o
outro mundo…
Para essa
outra porta…
Que se abre…
Estar só
nesse mundo outro…
Que se
descobre
E por quem
choram outras almas nessa prece
Pela morte
que tão só se apresentou…
Mas a muitos
outros te juntou…
E nessa
homenagem merecida
Em que o
poeta junta multidões cheias de vida
E de ensejo…
Para dessa
praça larga gritarem fundo:
- «Poeta,
Poeta, tu não estás só… no mundo…»
Seja pela
palavra,
Pelo grito,
Pela caneta,
Pela tinta
que escorre no papel preta
Pelas mãos
que teus livros seguravam
Lidos por
outros na ânsia da tua alma conhecer
Onde escrevias
avidamente lavrando folhas
Com o teu
suor e o teu próprio sangue
Nesse
íntimo… do mundo inteiro em que repousas…
E assim por
essas linhas caminhas
Segurando
versos e eventuais rimas
Percorrendo
nesse íntimo
Em que
visitas esses outros que te desejam conhecer
E que um
livro teu abrem para ler
Já não és
corpo físico nesta terra…
Mas sim
espirito e essência de poeta
Com que
fazes soar forte essa trombeta,
Que ribombalha
e faz esses céus tremer
Para que
outros como tu escutem o que dizes
A quem e
como dizes em segredo…
Segredando
ao ouvido dos mortais
Todas as
tuas ânsias e medos
Por saberes
hoje mais…
Mais do que
os restantes viventes
Por esses
caminhos em que vagueias
E a tua
poesia semeias
Nesses
livros tão sós e imortais…
António Dôres 25/09/2013
(1) em
homenagem a António Ramos Rosa
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