sábado, 31 de janeiro de 2015

MÃE DE ÁGUA


A água que escorre pela face
Desse homem martirizado
A água desse desejado
Encontrou hoje o seu destino
Ser vida e ser sangue
Por essa luz trespassado
O corpo do crucificado
Deus na terra
Deus menino
Encarnado
Sozinho
Num corpo descarnado
Desfigurado
Que verteu água…
Por uma lança perfurante
Não era sangue
Não era vinho
Água somente
De um Deus menino…
Num outro mundo
Em desatino
Morre na esperança
De um amanhã
Um Deus criança
Um Deus verbal
Um Deus Santificado
Deus (I)mortal…
Doce vida de encantos
Nesses momentos felizes
Encontro as minhas raízes
Nesse meu mar de esperanças
Onde revolto me encosto
Na barca do meu desgosto
Balançando nessas temperanças…
Nessas águas de lembranças
De um mar de Agosto deposto
Em que fui barco
Em que fui rosto
De um Deus zangado
Que se arrimou
A um mar salgado
Que por ele chorou…
Lágrimas de SAL
Num grande pranto
Enchendo o mar
Que se fez morto
Mar Morto final
Num qualquer dia
Do mês de Agosto
Berço final…

E recomeço…

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